16 julho 2007

Ainda sobre a infertilidade e o aborto

Não quero de forma algum deixar a impressão que existe, na minha opinião, um confronto directo entre os dois pontos: infertilidade e aborto, mas as politicas governativas não me deixam outra hipótese que não a comparação dos dois.

Antes de continuar, reafirmo que sou a favor do direito de escolha da mulher.

Mas... o Estado vai gastar anualmente 6 milhões de Euros para fornecer de forma totalmente gratuita esse direito. Agora com números e tudo para vermos a dimensão deste número: 6.000.000€... pois é... montes de zeros!

Vamos a contas: uma FIV ou uma ICSI custam de uma ponta à outra, ou seja, desde a primeira consulta, passando pelos medicamentos, até à realização de um só procedimento 6.000€. Ou seja, ao longo de um processo médio de dois anos, custa, média anual, 3.000€ por casal o apoio médico às questões de infertilidade. Ou seja, contas redondas, o Estado podía apoiar 2.000 casais/ano. São qualquer coisa como 4.000 pessoas, podendo, haja sorte e uma ajudinha da mãe Natureza 6.000 a 8.000 pessoas/ano. Não estou a falar dos que podem pagar procedimentos, estou a falar dos que precisam de ajuda, dos que querem um filho, dos que vivem o drama de anos de amargura e depressão.

Já é um número relevante? E se juntarmos o custo dos submarinos? E se juntarmos o custo das obras inflaccionadas em 200 ou 300%?

E se finalmente juntarmos o custo a longo prazo da nossa Segurança Social? E se juntarmos os custos sociais do envelhecimento?

De repente, visto daqui, 6.000.000€ afinal não é nada... há jogos que facturam mais do que isto.

6 comentários:

Summer disse...

Ouvi essa mesma notícia... fiquei novamente incrédula... entre 350-400 euros por aborto... tudo pago...

Os casais que querem fazer uma Inseminação Intra Uterina podem gastar esse valor, do próprio bolso, ainda que estejam no público, só em medicamentos...

Como tu dizes... a mulher tem direito a escolher... é pena que os casais inférteis, as mulheres inférteis não tenham escolha a não ser uma longa espera... e uma luta contra o tempo e a idade...

Por isso é necessário que se continue a lutar pelos direitos de todos esses casais. A Associação Portuguesa de Infertilidade, faz um trabalho exemplar e de grande valor! Merecem todo o valor por lutarem por algo que o Estado esqueceu... meteu na gaveta...

Beijinhos!

KosmiCKhaoz disse...

Eu não vou entrar pelo caminho do "Estamos em Portugal, o governo não presta" porque duvido que seja um problema só português! É engraçado que quando se fala em inovar o país só se pense em tecnologia mas, a mentalidade também é algo que evolui e podíamos mesmo começar por aí!
Este é um problema grave para o qual, antes de o escreveres aqui, nem eu tinha parado para pensar! Mas estou a tentar fazer a minha parte e discutir o assunto com o maior número de pessoas, por enquanto é só o que posso fazer ;)

Summer disse...

Olá Vlad, espero que não te importes mas gostaria de responder ao comentário do kosmickhaoz.

Kosmickhaoz, lógico que não é um problema só português. Por isso mesmo, vários países da Europa, entre eles a Bélgica e a França, por exemplo, reconheceram a gravidade do problema e reescreveram a Lei da PMA.

Tens toda a razão quando dizes que as mentalidades também têm que mudar. Penso que isso é essencial! Temos que começar a falar desses assuntos abertamente e dar-lhes a importância devida. Hoje ainda se sente muito o tabu à volta de certos assuntos, inclusive a infertilidade e o aborto também.

Quando não somos confrontados com o assunto, quer directa ou indirectamente, penso que é normal nem pararmos para pensar nisso. Mas é quando despertamos para a realidade que podemos fazer aquilo que dizes estar a fazer... simplesmente falar com outros... já é meio caminho andado :)

Beijinhos para ti e para o Vlad!

P.S. Já não comento mais hoje ;)

Vlad disse...

Podes comentar à vontade, estás entre amigos.

Nucunão disse...

"Este é um problema grave para o qual, antes de o escreveres aqui, nem eu tinha parado para pensar!"
já somos dois. Vlad o teu blog que na minha opinião começou como um local de comédia evolui muito. Consegues criar comédia, falar da tua vida e discutir assuntos sérios no mesmo local e cada vez que o fazes puxas pelo interesse das pessoas.
Continua aqui com o bom trabalho pois a massa critica em portugal é necessária.

Vlad disse...

Nem queiras saber a alegria que me deu esse comentário. :)