09 maio 2007

Vlad on Game Design II

Escrevo este post porque me encontro numa encruzilhada em termos de design. Por um lado sinto que é possivel colocar em prática e de forma metódica a teoria avassaladora que existe. Por outro, essa colocação em prática parece ser subjugada para segundo plano, porque ser teórico dá status e porque a prática poderá por a nu a verdadeira fórmula de design de um jogo. Por isso só vejo duas maneiras viáveis de se encarar o game design nos dias de hoje.

A primeira é continuarmos a ver o game design como o produto de génios, os que teorizam incessantemente em livros com conteúdo similar, mas com terminologias distintas. Aprende-se muito com eles, é indiscutivel, mas ao mesmo tempo ficamos um pouco afogados na teoria ao ponto de tentarmos teorizar nós próprios. Não nos é passada a metodologia prática. E se vierem daí tresloucados a dizer que há livros que o fazem... leiam-nos outra vez e vejam lá se a metodologia de design que é passada não é ela também teórica.

Os game designers não se entendem, ou melhor, não chegam a uma plataforma estável de entendimento. Desde que se começou a tentar unificar o game design que se criou uma teia entre concordâncias e discordâncias entre os game design theorists. Essa teia estende-se claro, aos game designers "comuns". No meio desta teia e desta teorização massiva de tudo o que tem um cheirinho a game design, alguém se esquece da prática de game design. Há tanta coisa que qualquer programador nos sabe responder e que faz parte do design, mas nós designers, mantemos o nosso cu gordo sentado na cadeira da teoria absoluta.

Blodasse... já está na altura de sair da cadeirinha não? É que já chateia... Qualquer pessoa que leia um bom livro de game design parte do principio, mesmo sem prática, de que é game designer. E nem me façam falar dos que não leram nada, ok? Esse só mesmo à pedrada, Monty-Python Style!

A segunda maneira é aquela que sinto mais próxima da minha forma de estar. Game design estar para para um game designer, como a programação está para um programador. Conhecimento teórico, conhecimento prático, experiência. Se só com estes três juntos há um programador com qualidade, porque raio é que conhecimento teórico é suficiente para game design? E porque é que o conhecimento prático não é partilhado? Será que há assim tanto medo da concorrência de futuros game designers ou será que não queremos sair da cadeirita? Será que é porque tantos míudos querem fazer game design?

Amigos, deixem os míudos fazer game design, mas ensinemo-los a fazer game design na prática! Dá tanto trabalho quanto outra coisa qualquer, o que quer dizer na prática que 90% desistem no primeiro ano e que só vão sobrar aqueles com quem quereremos trabalhar no futuro.

2 comentários:

K0smiKhaoz disse...

Epá, simplesmente EXCELENTE.
Eu sinceramente também não percebo muito bem essa treta da teoria etc etc mas penso que tem em grande parte a ver com o tal prestígio... um pouco como alguns escritores Norte-Americanos, falam falam mas, não escrevem nada de jeito.
Também penso que existe uma outra razão, muitos game designers podem falar que todos vão pensar que estão a dizer a melhor coisa do mundo só porque poucos percebem do assunto (assim como alguns comentadores portugueses lol) mas depois na verdade, não mostram a prática porque eles próprios ainda não a dominam.

Existe mesmo muito para se falar deste assunto mas, muito pouco é realmente útil. Eu até arriscava dizer que se pode pegar em duas teorias de GD contraditórias, fazer dois jogos diferentes e ambos resultarem na perfeição ;)

Mas quem sou eu para falar né? ihih aí está mais uma razão, a credibilidade do game designer é medida através do número de jogos lançados (mesmo que grandes falhanços desde que tenho custado muito $$) ou por 1 ou 2 jogos muito vendidos (e todos sabemos que as vendas de um jogo não são directamente proporcionais à qualidade de design do mesmo)... falta MUITA massa crítica nos jogos, críticos de verdade, como no cinema, literatura, música... e não os jogadores-críticos sem formação para tal!!!

Mestre do pito disse...

se o gamedesign tivesse que ser documentado na sua vertente teorica e prática haveria concerteza muito menos livros sobre o assunto.