07 dezembro 2007

Não é um rant, é O RANT

Num tópico recente, algures num desses fóruns florescentes da Internet, neste caso um portugês, dei comigo particularmente perturbado com a forma como as pessoas se queixam. É sintomático e não há profilaxia que resolva a treta do problema do queixume. O portguês queixa-se! Mas reparem... não age... queixa-se... é isto que me tira do sério e provoca este rant e não é um rant, é O RANT!

As pessoas queixam-se do governo, mas o não o interpelam, defendo-se que não vale a pena. Não? Experimentem juntar um grupo de pessoas considerável (coisa que na Internet nem é dificil) e mandarem todos juntos um email, uma carta registada com aviso de recepção e telefonarem a pedir informações sobre o assunto que pretendem ver discutido.

As pessoas queixam-se do trânsito, mas quando entram no carro embrutecem ao nivel de um gorila com tensão pré-menstrual depois de ver caçadores ilegais a cortarem as mãos das crias para fazerem cinzeiros.

As pessoas querem ter o direito de se indignar! Querem-se queixar! É UM DIREITO! Mas o dever de lutar pelos seus direitos... ui isso não que têm de ver a bola ou a novela. Ser cidadão, na cabeça desta gente, é simplesmente queixar-se e acompanhar a programação televisivo-depressiva.

As pessoas queixam-se do país... OH FUCK! GUESS WHAT?! SÃO AS PESSOAS QUE FAZEM O PAÍS! Não são os governos, não são os politicos. Se 10% da população exercer a sua cidadania de forma completa, muda muito mais o país num ano do que um governo numa legislatura!

As pessoas queixam-se que não há investimento para levantar os seus negócios. Eu digo-lhes o que é que não há: investimento para pagar salários dos "empreendedores"... gostaram das aspas, foram de propósito, porque todos os Empreendedores captam investimento, às vezes sem o procurar. Porque em vez de procurarem investimento, TRABALHARAM, ou seja, INVESTIRAM PRIMEIRO!

Não menos divertido é alguém queixar-se e exigir acção! Deixa ver se eu percebi... a tradução directa disto é: Eu estou-me a queixar que tenho uma queixa que ninguém resolve por mim! Absolutamente fantástico!

Mas não... é porque não há dinheiro, é porque não há tempo, é porque o senhor fez doi-doi no pipi. Porra pá! Mexam essas nalgas! Têm uma queixa? Actuem! Querem fazer alguma coisa? Façam! Mas parem de consporcar a cabeça dos vossos filhos, amigos, colegas com esse maldito hábito de se queixarem de absolutamente merda nenhuma!

A CIDADANIA É A NOSSA PARTICIPAÇÃO ACTIVA, POR TODOS OS DIREITOS E DEVERES QUE NOS ASSISTEM ENQUANTO PORTUGUESES. NÃO É METADE DISTO!

05 dezembro 2007

Against the law

Foram diversas as alturas que pensei que muito daquilo que passamos aos que partilham da nossa amizade, que passamos aos nossos filhos e aquilo que os nossos pais nos passaram, nos ensina a simplesmente quebrar as regras, quebrar as leis a bem de um bom senso que parece não imperar globalmente.

A sociedade de informação e os altos capitais envolvidos nesta são os culpados no que toca à cultura cibernética.

Passaram-me este video à bocado e tenho de o pôr aqui, é simplesmente bom demais e ao mesmo tempo óbvio demais para não ser visto e reflectido.

Tirem 20 minutos dos vossos dias ou venham aqui no fim de semana. Acredito que a forma e a frontalidade como é servida esta apresentação vos vai fazer pensar em cultura, em sociedade de informação, em como estamos a limitar o terrivel poder da cultura popular das massas.

Curtas

Começemos pelas más curtas

Tive de levar a minha mulher a Lisboa ontem e hoje. Já não me lembrava de como o trânsito leva as pessoas de volta às cavernas.

Desde que saí de casa até que me sentei para trabalhar passaram duas horas, grande parte das quais no trânsito. Levantei-me uma hora mais cedo e comecei a trabalhar quase duas horas mais tarde, bem menos fresco, com muito menos paciência. Leva a pensar como o trânsito tem impacto na vida e na produtividade das pessoas.

E acabemos nas boas curtas

A minha mulher está com uma barriguinha linda.

Não acredito em Deus, bruxas, astros, sorte, azar, etc, mas estou absolutamente convencido que o Giga é o meu amuleto da sorte. Desde que ele entrou cá em casa que tudo o que podía correr mal, começou a correr bem. Acho que é a atitude positiva que ele nos proporciona, uma espécie de bom karma. E não, não acredito em karma, mas acredito que uma atitude positiva influencía o que nos rodeia.

04 dezembro 2007

Sócios ou Porque é que os projectos falham

Já ando para escrever isto vai um tempão mas a forma como queria expôr esta questão estava meio... nebulada. Agora que se fez luz, cá vai.

Não é propriamente surpresa que a esmagadora maioria dos projectos de gamedev falham, particularmente os projectos de start-up e os projectos amadores. Quase que aposto que se eu fizesse aqui um questionário sobre o porquê das falhas, as respostas andariam entre dinheiro e disponibilidade.

The awful truth é que os projectos falham por causa das pessoas. Quando os projectos começam é só coisas bonitas, ideias, números, sucesso, nos brevemente-comerciais ou eventualmente comerciais, lucro, lucro e mais lucro. Depois vem a verdade: trabalho e de repente o cenário já não é assim tão bonito.

Os projectos falham porque há um défice do interesse e da disponibilidade dos elementos que compõem as sociedades que se criam para os mesmos.

Só uma pequena nota: a estas sociedades subtrai-se naturalmente as empresas, que assumo que à partida têm pelo menos uma vaga ideia do que andam a fazer.

Quando esse défice é detectado, os sócios incompatibilizam-se e por culpa deles as sociedades e os projectos das mesmas falham. Pode-se então dizer que os motivos de falhanço dos projectos de start-up e amadores são os sócios.

Um sócio é aquele que partilha a mesma paixão, a mesma visão e o mesmo empenho pelo projecto que é de toda a sociedade. Só avançam e são concluidos os projectos em que TODOS os sócios apontam para os mais altos padrões de qualidade atingiveis, para a mais alta produtividade possivel e com o qual se pode discutir e ajustar a visão do projecto sem fractura de relacionamento profissional e pessoal. Todos os outros não são sócios, são futuras lembranças de projectos falhados.

02 dezembro 2007

A surpresa

Tive em tempos um blog na Wordpress e aí tinha um dashboard onde podía ir vendo as visitas que tinha. O blog era em inglês e tinha um número de visitas simpático. Não me recordo quantas, recordo-me que na altura achava que era um número giro para um blog de conteúdo geo-politico, muito na onda do alternative media.

Para quem não sabe, tive vários pontos de escrita, cantinhos como sempre lhes chamei, dos quais o Blodasse é o último e por acaso o mais duradouro e capaz. Tive até direito a uma menção de post do dia num blog de futebol, imaginem! :) Mas o Blodasse é o Blodasse e admito que é o mais parecido com o meu ideal de blog. E andava eu convencido que isto era uma tretazita minha... coisa pouca, com meia dúzia de leitores.

Há dias chegou-me uma dica do PRE (thanks again) para experimentar um serviço do Google, mais precisamente o Google Analytics que tem vindo a fornecer-me dados nos últimos 6 dias e veio a surpresa: no intervalo de seis dias que acaba no dia 1 de Dezembro, o Blodasse recebeu 441 visitas, com 631 visualizações de páginas e uns extraordinários 76% de taxa de retorno.

Para mim é uma verdadeira supresa. Surpresa porque acho que os blogs que têm conteúdos pessoais tendem a afastar leitores. Surpresa porque não escrevo para agradar a ninguém e até acho que devo chatear muita gente. Surpresa porque honestamente não acho que este blog, sendo de longe o melhor cantinho que já tive, não é, aos meus olhos nada de extraordinário. Finalmente surpresa porque não é um blog em inglês que permite atrair uma maior atenção.

Por outro lado dá-me uma estranha sensação de dever cumprido, de responsabilidade e até de uma estranha ternura via web 2.0 para quem lê e para quem participa neste blog.

Estava à espera de 12... vá lá... 24 visitas diárias... e afinal, estão aí vocês todos... blodasse!

O Jogo Errado

Excluindo os extremos comerciais do desenvolvimento de jogos, ou seja, os tubarões dos AAA e os jogos feitos por hobby, será justo dizer que no meio se encontra um conjunto de pessoas que desenvolvem e vendem os seus jogos praticamente sózinhos. Estes são, tal como eu, os indies. Os indies têm uma característica nefasta: tendem a escolher o jogo errado para produzir esta blogada é sobre isso.

Nem sei bem em qual das tags esta blogada fica melhor, por isso vou colocá-la em três: Trabalhar em Casa, Game Production e Game Development. Trabalhar em Casa porque está relacionada com as apostas iniciais dos indies de garagem, Game Production porque está relacionado com uma decisão comercial e Game Development por afinidade.

Todos nós game developers temos um ou mais jogos fetiche. Diria que a esmagadora maioria de nós tende a concretizar primeiro esse jogo. Na minha opinião esse é "O Jogo Errado". Quebramos com ele algumas das regras básicas de produção e design, que aqui ficam:

You are not your audience - Se estamos a produzir um jogo comercial, o mais provavel é que o nosso jogo fetiche não esteja desenhado ou adaptado à audiência para a qual estamos a desenvolver, excepção feita quando atacamos um nicho.

Evitar o imitar para melhorar - É bem provavel que o nosso jogo fetiche seja a nossa visão da versão melhorada de um jogo que adoramos. Esse jogo foi provavelmente desenhado por uma equipa de designers experientes, programado por uma equipa de engenharia experiente e com conteúdos de uma equipa de artistas experientes. 'Nuff said.

Faz o jogo que sabes poder concluir - Se estamos a produzir o primeiro jogo comercial, é pouco provável que tenhamos a capacidade técnica e financeira de produzir o nosso jogo fetiche.

Por isso, mas mais importante ainda, por ser o teu jogo fetiche, deixa-o, por muito que te custe, para daqui a uns tempos, em que poderá ser feito com mais qualidade, com mais maturidade e no fundo ser um melhor jogo em termos de produto e de vendas.

01 dezembro 2007

Não teria dito melhor

Para o contexto necessário sigam este link.

"Eu só teria cuidado com o emprego do termo "primeiro", visto este já ter provocado sérias polémicas aqui no fórum...

Para além disso é um termo que evidencia o atraso físico e psicológico da nossa indústria (que infelizmente é lenta de pernas e ainda vai demorar a sofisticar) em relação àquela internacional.

Evidencia do mesmo modo esse atraso naquilo que respeita as nossas relações pessoais enquanto game developers, que geralmente e como mais uma vez se pode constatar, preferimos a vanglória e a falsa modéstia à troca real e efectiva de ideias, descurando inconscientemente virtudes humanas de grande valor para o desenvolvimento de jogos como são o realismo, a humildade, e a introspecção."

O meu sincero aplauso ao Francisco Furtado. Eu não teria dito melhor. Desconheço os motivos de fundo que o levaram a escrever tamanha verdade, mas admiro a frontalidade e a capacidade de analisar com tamanha frieza e ao mesmo tempo humanidade a realidade da exposição interna dos produtos desenvolvidos por portugueses.

O nosso mercado está lá fora. Aqui, entre nós, precisamos de relações fortes, de apoio e de uma verdadeira rede de conhecimento e debate, algo eternamente abafado pelos piores motivos.